O que é?

Movidos por seu instinto de sobrevivência,os negros africanos no Brasil, desenvolveram uma estratégia de luta: a Capoeira Angola. Os movimentos de ataque e defesa vieram da observação do funcionamento dos instrumentos de trabalho (martelo, foice), das formas de luta dos animais (coice de mula, rabo de arraia).

Para Mestre Pastinha a “Capoeira Angola é mandinga de escravo em ânsia de liberdade. Seu princípio não tem método e o seu fim é inconcebível ao mais sábio capoeirista.” Hoje, só a Capoeira Angola preserva esta ideologia, com a mandinga, a estratégia, o jogo, o diálogo. Em Brasília e nas cidades do Entorno, a capoeira de Angola tem um número expressivo de Angoleiros e Angoleiras; a cidade de Riacho Fundo I, tem como referência nacional o Grupo Grito da Liberdade -Mestre Cobra, que vem atuando e difundindo esta modalidade da Capoeira valorizando a afro descendência, resgatando a autoestima cultural de Brasília quebrando tabus e paradigmas.

O patrimônio material e imaterial da capoeira tem como princípios o enriquecimento de princípios familiares e culturais, incentivando-os ao aprendizado da união social e familiar presentes na filosofia da capoeira. A interculturalidade, no caso brasileiro, propõe transgredir esse caminho e criar ações mais intensas no sentido da construção de um contexto de equidade capaz de compor as premissas do reconhecimento do direito do outro no diálogo entre diferentes culturas.

Realizar o Encontro Nacional de Mestres e Griôs Angoleiros, será uma oportunidade de relacionamento e intercâmbio entre capoeiristas e/ou amantes da capoeira de diversas localidades do Brasil, além de ampliar a difusão e o acesso a um saber tradicional, fundamentado em prática e reflexão. Com a expectativa da participação destes mestres e griôs de mais de dez Estados do País, contando também com a participação de capoeiristas, historiadores, pesquisadores e admiradores da arte da Capoeira.

Durante o evento serão ministradas aulas e rodas de Capoeira Angola, também serão realizadas apresentações de grupos de dança, dentre eles, Grito de Liberdade, Tambor de Criola, Circo Artetute, oficinas de dança, percussão, confecção de instrumentos, rodas de debates e uma mesa redonda abordando o tema do encontro: Ampliar o diálogo do saber popular e acadêmica com a diversidade da vida, demarcando não só a pluralidade de todos os sujeitos, saberes, práticas, conhecimentos e técnicas, como também o papel do/a mestres da capoeira de Angola.

Promovendo assim, políticas públicas estruturantes, como garantia dos direitos e autenticidade na formação do cidadão e estratégias de desenvolvimento sustentáveis. Portanto, inspiremo-nos neste encontro de trocas de saberes para a preservação da Capoeira Angola: “a pequena roda é definida como local de treino e prática de elementos diversos, que se fazem corporais numa leitura de simultâneos encantamento/desencantamento e rivalidade/aceitação.

Essas questões são direcionadas para a grande roda, como sendo o lugar de trânsito desses conhecimentos, suturando, igualmente, a aceitação e a rejeição acerca da realidade vivida. Como a atuação na pequena roda e na grande roda é orientada pela cosmovisão africana, ou seja, pelo fundamento do dendê, o compartilhamento do espaço de criação coletiva rompe com a lógica da competitividade produtivista, em benefício da celebração da vadiagem.

Nesse sentido, a roda não deve ser compreendida tão somente como um espaço de decisões, mas também de riscos, testes e improvisos. E o jogo de capoeira também deve ser compreendido como um jogo infinito, que não acaba.

Por se tratar de um “diálogo de corpos”, muitas vezes uma “resposta” a uma “pergunta” corpórea realizada pode levar anos para se concretizar” (ARAÚJO, 2015b).

Assim, todas as atividades do encontro terão como prioridade a capacidade pedagógica da Tradição Oral e da prática da Capoeira Angola, mobilizadas enquanto instrumento de socialização e ressocialização dos indivíduos praticantes, visando melhoria da qualidade de vida e fortalecimento da autoestima, ao trabalhar o conhecimento e o reconhecimento de si e do mundo ao redor, promoção da Cultura de Paz e construção da cidadania.